Confiança

nas eleições

Como falar sobre urnas e eleições com quem tem dúvidas sobre o processo?

Em 2022, a desinformação sobre as eleições não ficou restrita às redes. Narrativas de fraude foram usadas para desacreditar as urnas, contestar o resultado eleitoral e alimentar uma mobilização que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Quatro anos depois, o Brasil se prepara para uma nova eleição enquanto a confiança nas instituições volta ao centro do debate público e uma crise institucional ocupa o noticiário. Em um momento como esse, fortalecer a confiança no processo eleitoral ganha ainda mais importância.

Esta edição do Como Falar Sobre parte de uma pergunta simples:

Como aproximar as pessoas do processo eleitoral antes que a dúvida vire desconfiança?

85,5%
pretendem votar
81,7%
acreditam que seu voto muda sua realidade
63,5%
confiam nas urnas
62,4%
confiam no processo eleitoral

Essa é a distância que precisamos encurtar.

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As pessoas acreditam no poder do voto.
O caminho até o resultado ainda gera dúvidas.

E o que está em jogo é muito concreto.

O preço do mercado A fila do posto de saúde A creche O ônibus A rua asfaltada Quantos dias da semana você trabalha – alô, escala 6x1!

Abrir mão do voto pode custar pouco na multa.

Abrir mão desse poder custa muito mais.

Do confirma ao resultado: o que acontece com o voto?

Antes de responder às dúvidas, vale conhecer o caminho.

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Então, como falar sobre isso?

01

Deixe claro o caminho do voto.

Quando ninguém sabe exatamente o que acontece entre o CONFIRMA e a divulgação do resultado, esse espaço fica aberto para dúvidas, suspeitas e explicações falsas.

Mostre o passo a passo.

Quanto mais claro for o caminho do voto, menos espaço existe para dúvidas fabricadas sobre o que acontece no meio.

02

Coloque mais gente nessa conversa.

Grande parte dos conteúdos sobre segurança eleitoral ainda vem das próprias instituições. Precisamos ampliar esse repertório.

Mesários e mesárias, professoras, engenheiros, estudantes e profissionais envolvidos na logística eleitoral podem falar sobre o processo a partir da própria experiência, com seu próprio vocabulário e para públicos que já conhecem e confiam neles.

Confiança também passa por reconhecer e se identificar com quem está falando.

03

O orgulho pode abrir a conversa. A explicação precisa ir além.

A urna eletrônica é uma tecnologia brasileira, e trabalhar essa ideia pela chave do orgulho nacional pode ser um bom ponto de partida.

A conversa ganha força quando mostra por que esse sistema existe, quais problemas ele ajuda a resolver e como protege o voto de cada pessoa.

Também é possível aproximar a urna de outras tecnologias brasileiras presentes no cotidiano, como o Pix, especialmente entre quem já reconhece valor nessas soluções.

04

A urna é o meio. O voto é o poder.

A urna conecta uma escolha a consequências muito concretas.

A iluminação da rua. A segurança do bairro. A escola dos filhos. O transporte que você usa. O posto de saúde. Os direitos no trabalho. Quantos dias da semana você trabalha e descansa.

Quem a gente elege participa das decisões sobre tudo isso.

05

Use a tranquilidade a seu favor.

Fake news sobre eleições costumam circular em tom de urgência: sirenes, caixa alta, ameaça e a sensação de que alguma coisa grave está acontecendo naquele exato momento.

A comunicação sobre confiança pode trabalhar com outro tom. Abra espaço para perguntas. Explique com calma. Mostre o processo com clareza.

Tranquilidade também comunica segurança.

A mesma mensagem não chega igual para todo mundo

55+
Explique mais, de forma simples

É o grupo que apresentou menor confiança nas urnas, 50,7%, e maior intenção de votar, 87,8%.

Passo a passo, demonstrações e espaço para perguntas técnicas podem fazer diferença.

Jovens
Presente, não nostalgia.

Referências culturais e elementos reconhecíveis chamam mais atenção. Já uma linguagem muito apoiada em memórias de outras gerações pode produzir distância — e até aumentar a preocupação com fraude.

Use referências atuais, linguagem visual e exemplos próximos do cotidiano.

Quem já chega desconfiado
Não pare na primeira resposta.

A dúvida pode continuar e se deslocar para uma nova etapa.

Mostre como conferir. Antecipe a próxima pergunta. Deixe a fonte disponível.

E pense também onde essa conversa acontece: WhatsApp, Facebook e YouTube aparecem com mais força entre quem confia menos nas urnas.

Confiança se constrói antes da crise.

Em 2022, dúvidas e desinformação sobre as eleições foram exploradas até se transformar em contestação do próprio resultado.

Em 2026, a comunicação pode chegar antes.

Explicar como a eleição funciona, mostrar quem faz esse processo acontecer e conectar o voto às decisões que atravessam a vida cotidiana ajuda a transformar distância em entendimento, e entendimento em confiança.

Quanto mais pessoas souberem como seu voto é registrado, contado e conferido, mais condições terão de participar desse processo com segurança, fazer suas escolhas e cobrar o que vem depois.

Porque a eleição só funciona de verdade quando quem vota entende o poder que tem nas mãos.

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SOBRE ESTA EDIÇÃO

Esta edição foi construída a partir de O Valor do Voto: Recuperar a confiança no processo eleitoral e no sistema de votação, iniciativa do Pacto pela Democracia desenvolvida em parceria com Aláfia Lab, Instituto Democracia em Xeque e Rede Conhecimento Social. A pesquisa reuniu análise de narrativas sobre desinformação eleitoral, grupos de escuta e um teste de mensagens com 3.842 participantes.

O trabalho também parte de uma ideia importante para 2026: confiança eleitoral não pode ser assunto apenas quando a eleição já está sob ataque. Explicar o processo, tornar fiscalização e auditoria mais visíveis e antecipar dúvidas é um trabalho que começa antes.

EM PARCERIA COM:

Bolsa família

JULHO/26