CRISE CLIMÁTICA
Argumentos e emoções para os brasileiros se importarem com essa causa
Clima já não é apenas papo de cientista ou conversa de elevador
A crise climática, antes vista como distante, agora é uma realidade próxima. No entanto, como tornar essa ameaça uma prioridade nas preocupações públicas e motivar os brasileiros a agir cotidiana e politicamente?
Com os desastres ambientais que aconteceram em 2023, com o início da COP28 e com a ameaça crescente de exploração de petróleo na Amazônia, para esse episódio de Como Falar Sobre o nosso assunto é Crise Climática. Dialogamos com jovens, conservadores e progressistas, afinal são eles que mais provavelmente enfrentarão as consequências dessa catástrofe em suas vidas e são eles os mais propensos a gerar as mudanças necessárias.
OPORTUNIDADES
5. Poucas diferenças entre conservadores e progressistas
Conversamos com dois grupos que votaram em Bolsonaro em 2018 e 2022, além de dois grupos que votaram no PT em ambos os pleitos e tivemos uma grata surpresa: a crise climática é uma preocupação de todos esses jovens. Eles estão cientes desse problema, têm poucos pensamentos divergentes e o mais importante: estão à espera de um plano de ação.
TRETAS
1. A armadilha das saídas individuais
Anos e anos de propaganda colocando o cidadão comum como agente (co-)responsável pela crise ambiental surtiram efeito. O primeiro impulso dos jovens na hora de pensar em responsabilidades e soluções é pensar no seu papel individualmente: banho curto, reciclagem, reaproveitamento etc. Acreditam demais no mote de que pequenos hábitos podem mudar o mundo.
“Não é sobre o que o outro faz, é sobre minha ação no mundo: o que eu posso fazer de diferente?”
Entendem que todo mundo tem sua parcela de culpa na crise, mas não levam em consideração a proporcionalidade. Essa dificuldade em reconhecer o papel prevalente das grandes corporações e do governo é um dos grandes desafios na hora de conversar com públicos menos politizados.
2. Ainda não é prioridade na hora do voto
Não é surpresa, mas clima ainda não é um tema prioritário quando a pergunta é "quais assuntos te mobilizam a votar?". Meio ambiente até aparece na lista, mas nunca chegando ao topo do ranking. Ao final das sessões, após conversarem e assistirem a conteúdos, o tema sobe algumas casas de importância - o que é natural e tende a acontecer com qualquer assunto.
O que há de diferente aqui é que a consciência sobre a importância das questões climáticas é acompanhada de um forte impulso para ação, isso não acontece com qualquer causa. Se clima é importante, então é necessário fazer algo a respeito (isso não acontece tão fortemente em outras agendas: educação, saúde, economia…)
CURIOSIDADES
1. Negacionismo não apareceu!
Conversamos com dois grupos de jovens que votaram em Bolsonaro (em 2018 e 2022) e a questão de que o aumento da temperatura global seria um fenômeno natural e, portanto, não relacionado à ação humana simplesmente não apareceu.
Metodologia
Foram realizados 04 grupos de discussão on-line com pessoas interessadas nas temáticas de Meio Ambiente, desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, moradoras de Belo Horizonte e Salvador. No total, a pesquisa contou com 02 grupos com mulheres e 02 grupos com homens, todos com idade entre 16 e 24 anos, com ensino médio completo e das classes CD, totalizando 28 pessoas ouvidas nos dias 15 e 16 de Novembro de 2023.
Os grupos foram organizados a partir da autodeclaração sobre orientação política, divididos da seguinte forma:
02 grupos de progressistas - 01 grupo de mulheres e 01 grupo de homens que se autodeclaram de esquerda, votaram em Fernando Haddad no segundo turno das eleições de 2018 e em Lula, no segundo turno em 2022.
02 grupos de conservadores - 01 grupo mulheres e 01 grupo de homens que se autodeclaram de direita, e votaram em Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018 e 2022.