O que o Brasil pensa sobre a

ESCALA 6X1 ?

UMA PESQUISA PROJETO BRIEF

Nas redes, nas ruas e até no Congresso o fim da escala 6x1 rapidamente saiu de um viral no TikTok para se tornar uma das pautas mais comentadas do Brasil.

Colocando no centro do debate questões como qualidade de vida, descanso e lazer, o movimento não apenas elegeu Rick Azevedo (PSOL-RJ), seu principal líder, como vereador, mas também reuniu apoio suficiente para que uma PEC sobre o tema começasse a tramitar no Congresso.

A novidade dessa história é que há tempos não se via uma onda de mobilização de pessoas de todos os espectros políticos a favor de uma única pauta, mostrando que esta é uma bandeira com potencial para reconfigurar prioridades no debate público.

Para muitos, especialmente no campo progressista, esta é uma oportunidade de reconectar sonhos coletivos à agenda política e pautar lutas históricas por direitos.

Mas, é claro, que como em praticamente qualquer debate na política nacional, o debate sobre o fim da escala 6x1 virou alvo de uma guerra de narrativas, com opositores alertando sobre possíveis impactos na economia e no emprego, e defensores enfatizando os benefícios dessa transformação na vida das pessoas. 

Querendo entender melhor

esse contexto, decidimos

mergulhar no tema.

Aproveitamos o auge do debate para realizar uma pesquisa, buscando entender como a proposta impacta diferentes grupos sociais no Brasil. Aqui, apresentamos os principais aprendizados – e o que eles podem ensinar sobre como transformar mobilizações virtuais em mudanças concretas.

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Metodologia

Para este levantamento, realizamos uma pesquisa quanti-quali através da Swayable, uma plataforma internacional especializada em medir o impacto de conteúdos e estratégias de comunicação na opinião pública. A pesquisa foi conduzida entre os dias 22 e 26 de novembro de 2024, com 3.122 pessoas de todo o Brasil, recrutadas por meio de redes sociais.

A participação foi voluntária e anônima, e os respondentes forneceram informações sobre dados demográficos (raça, gênero, idade), preferências políticas, comportamentos e percepções sobre o fim da escala 6x1.

Gráfico de bolhas mostrando faixas etárias e quantidade de pessoas: 18-34 anos, 1304 pessoas; 35-54 anos, 1327 pessoas; 55+ anos, 490 pessoas.
Gráfico de pizza mostrando a distribuição de homens e mulheres, com 1444 homens e 1672 mulheres.
Gráfico de barras mostrando resultados das eleições no segundo turno de 2022: Bolsonaro com 1327 votos, Lula com 1205 votos, Branco/Nulo com 334 votos e Não votou com 255 votos.
Diagrama de bolhas com números de pessoas em diferentes regiões do Brasil: Sudeste (1598 pessoas), Nordeste (646 pessoas), Sul (472 pessoas), Centro-Oeste (227 pessoas), Norte (178 pessoas).

Além de mapear a

percepção geral

sobre o tema,

analisamos como a opinião do público se transformava após o contato com mensagens específicas sobre a pauta.

Para isso, testamos dois tipos de abordagem:

  • "Homens, mulheres, negros, brancos, ricos e pobres — todos merecem tempo para a família e para viver com dignidade. Mas muitos brasileiros ainda trabalham na escala 6x1 (6 dias de trabalho para 1 de folga), um sistema que impede o descanso e exaure os trabalhadores.

    Enquanto isso, os políticos de direita que trabalham na escala 3x4 (3 dias de trabalho para 4 de folga) barram um projeto que visa acabar com essa exploração. É hora de exigir respeito! Acabar com a escala 6x1 é garantir mais justiça, mais igualdade e uma vida melhor para quem constrói o país.

    Vamos pressionar o Congresso a aprovar esse projeto e lutar por dias mais justos para todos os brasileiros!"

  • "Todos, independentemente de gênero, cor ou classe, merecem tempo para a família e para aproveitar os momentos bons da vida. Ainda assim, muitos brasileiros enfrentam a escala 6x1 (6 dias de trabalho para 1 de folga), o que mal permite descanso e lazer.

    Imagine uma rotina em que você tem mais tempo para cuidar de si, para estar com quem ama e para viver de maneira mais leve. Acabar com a escala 6x1 significa mais equilíbrio, mais bem-estar e uma vida mais saudável.

    Vamos juntos apoiar essa mudança no Congresso e ajudar a construir um futuro com mais qualidade de vida para milhões de brasileiros."

Esses resultados nos permitiram avaliar não apenas o apoio inicial à proposta, mas também o impacto de diferentes narrativas em mover a opinião pública.

Quase todo mundo já ouviu falar na escala 6x1

Gráfico de pizza mostrando que 89% conhecem a proposta, 11% não conhecem.

89% dos entrevistados afirmaram já conhecer a pauta do fim da escala 6x1 e entender do que se trata. Esse grau de conhecimento demonstra o sucesso da mobilização na simplificação e comunicação do tema, tornando-o acessível e relevante.

Gráfico de pizza mostrando porcentagens de pessoas que apoiam ou não uma causa. A seção maior, em vermelho, indica que 69,6% apoiam a causa. A seção menor, em bege, indica que 30,4% não apoiam.

Uma pauta que já começa forte

Antes mesmo de serem impactados pelas mensagens da pesquisa, cerca de 70% dos entrevistados já apoiavam a proposta do fim da escala 6x1. Esse apoio inicial mostra como a ideia ressoa com a população, especialmente considerando que grande parte das pessoas já entende o tema.

Destaque: mulheres lideram o apoio

A análise por gênero revelou um dado interessante: o apoio entre as mulheres é entre 7% e 10% maior do que entre os homens. Esse recorte indica como a pauta dialoga com demandas específicas delas, possivelmente relacionadas à sobrecarga de trabalho e à busca por equilíbrio entre vida profissional, trabalho doméstico e cuidado com filhos.

Gráfico de barras sobre apoio à causa, comparando controle, grupo A e grupo B entre mulheres e homens, com porcentagens e total geral para cada grupo.

Uma pauta que transcende espectros políticos

Gráfico de barras mostrando apoio à causa em grupos direito e esquerdo, com apoio total de 71,5% na direita e 91,3% na esquerda, divididos entre grupos controle, A e B.

Um dos resultados mais surpreendentes da pesquisa é que 59,4% dos entrevistados identificados como de direita apoiam o fim da escala 6x1 – mesmo antes de serem impactados pelas mensagens da pesquisa.

Após lerem as mensagens, o apoio cresce para 71,5%.

Esse dado desafia a ideia de que a pauta seria rejeitada por razões políticas, mostrando que o aspecto humanitário pode ser mais relevante do que alinhamentos ideológicos.

Percepção sobre empresas e elite econômica

65,8%

acreditam que essas empresas resistem porque o modelo atual as permite explorar mais os trabalhadores e maximizar lucros.

A pesquisa também revelou um forte senso crítico em relação às motivações das empresas que se opõem à proposta.

68,1%

concordam que a elite econômica historicamente se posiciona contra avanços nos direitos trabalhistas.

Descanso e produtividade: o público entende a relação

Gráfico de pesquisa com a frase 'Ter mais tempo de descanso pode aumentar a produtividade dos trabalhadores', mostrando 77,6% de concordância e 22,4% de discordância.

As críticas de influenciadores de direita que apontam riscos de perda de produtividade parecem não convencer. 

A grande maioria dos entrevistados concorda que mais tempo para descanso aumentaria a produtividade dos trabalhadores – contrariando um dos principais argumentos usado pelas lideranças contrárias ao projeto.

O que faria com mais um dia livre?

Quando perguntamos aos entrevistados como usariam o tempo extra que teriam com o fim da escala 6x1, as respostas mostraram o impacto transformador que essa mudança poderia trazer para a vida das pessoas.

Gráfico de barras mostrando o que as pessoas fariam com mais um dia livre. As opções incluem lazer, descansar, passar tempo com a esposa/marido, cuidar dos filhos, arrumar a casa, ir ao médico/cuidar da saúde, resolver problemas/documentos burocráticos, cuidar dos pais e cuidar do cachorro/gato/pet. Cada barra representa um grupo diferente: controle, grupo A, grupo B, com porcentagens correspondentes.

Impactos políticos: uma pauta que mexe com a direita

44,6%

dos eleitores de Jair Bolsonaro disseram se identificar mais com a esquerda ao saber que o fim da escala 6x1 é uma causa progressista.

A pesquisa revelou que a escala 6x1 não só movimenta debates práticos, mas também tem reflexos políticos.

46,6%

do público de direita afirmou que sua visão sobre a direita piora ao saber que ela se opõe à pauta.

Como o público debate o fim da escala 6x1?

Após receberem as mensagens da pesquisa, os participantes foram convidados a compartilhar comentários livres sobre o tema.

Coleção de citações de diferentes pessoas, discutindo temas relacionados ao trabalho, família, economia e política, com comentários de mulheres e homens de várias idades e regiões do Brasil.

Das redes à vida cotidiana

O debate sobre o fim da escala 6x1 começou nas redes sociais, mas sua maior força veio da conexão com a realidade das pessoas.

Quem vive a escala 6x1 no dia a dia rapidamente formou opinião e interesse sobre o tema – e isso explica como a petição pública superou 1 milhão de assinaturas antes mesmo de a pauta ganhar destaque nacional.

Além disso, outros espaços – da mídia tradicional às conversas no trabalho e em casa – ajudaram a consolidá-la como um debate central.

A grande lição

O fim da escala 6x1 é mais do que uma reivindicação por descanso ou lazer.

Ele simboliza uma demanda maior por dignidade e equilíbrio na vida.

Nossa pesquisa revelou que as pessoas estão abertas a ideias que tocam suas realidades concretas, e que mensagens bem planejadas podem mover opiniões – e votos.

Acreditamos que essa mobilização não é um caso isolado, mas uma prova de que mudanças reais começam com uma boa comunicação e um tema que ressoe com a vida das pessoas. O desafio agora é expandir esse aprendizado para outras lutas que também possam reescrever a realidade.

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