IA e eleições

2026

IA como fonte de

informação política

A maioria dos entrevistados considera consultar uma inteligência artificial sobre política. 22,5% dizem que uma ferramenta de IA seria uma fonte útil como qualquer outra para obter informações sobre candidatos. Outros 40,5% talvez consultariam, mas verificariam em outras fontes. Somados, 62,9% demonstram algum grau de disposição para incluir a IA em suas decisões eleitorais.

consultaria uma ferramenta de ia para obter informações sobre um candidato nas eleições?

Talvez, mas verificaria em outras fontes também
40,5%
Prefiro fontes humanas, como jornalismo e debates
23,2%
Sim, seria uma fonte útil como qualquer outra
22,4%
Não confio em IA para informações políticas
13,9%

Quem mais aceita consultar

a IA sobre política

A disposição para usar a IA como fonte política varia bastante segundo o perfil do respondente. Os recortes mais expressivos aparecem entre quem usa a tecnologia com frequência e entre os grupos demográficos com maior contato cotidiano com plataformas digitais.

Entre quem usa IA várias vezes ao dia, 31,5% tratariam a ferramenta como fonte útil e 42,2% consultariam com checagem posterior, o que significa que quase três em cada quatro usuários intensivos veem a IA como referência possível para decisões políticas. No outro extremo, entre quem usa raramente, esse índice cai pela metade, e a desconfiança triplica.

Esse contraste sugere que o uso cotidiano da IA cria intimidade, e a intimidade reduz a barreira para consultá-la sobre assuntos sensíveis. A familiaridade técnica não vem acompanhada, necessariamente, de senso crítico sobre os limites da ferramenta. Quanto mais o eleitor convive com a IA no trabalho, no estudo e na conversa cotidiana, mais natural fica perguntar a ela sobre política, mesmo que as perguntas possam exigir um tipo de resposta que a tecnologia ainda não está preparada para entregar.

consultaria uma ferramenta de ia para obter informações sobre um candidato?

Clique em uma categoria para ver esse recorte. As barras vão de 0% a 100%.

Sim, seria uma fonte útil
Talvez, com checagem
Prefere fontes humanas
Não confia em IA para política
uso de ia
Várias vezes ao dia
31,5%
Sim
42,2%
Talvez
15,9%
Humanas
10,3%
Não confia
Várias vezes por semana
18,7%
Sim
44,2%
Talvez
27,3%
Humanas
9,8%
Não confia
Raramente
12,5%
Sim
30,1%
Talvez
31,4%
Humanas
26,0%
Não confia
gênero
Homens
26,9%
Sim
39,3%
Talvez
20,2%
Humanas
13,6%
Não confia
Mulheres
18,1%
Sim
41,7%
Talvez
25,9%
Humanas
14,2%
Não confia
idade
18 a 29 anos
18,6%
Sim
42,8%
Talvez
24,8%
Humanas
13,7%
Não confia
30 a 45 anos
26,2%
Sim
42,8%
Talvez
20,0%
Humanas
11,0%
Não confia
46 a 60 anos
22,0%
Sim
36,4%
Talvez
25,3%
Humanas
16,2%
Não confia
61 anos ou mais
19,8%
Sim
29,1%
Talvez
25,9%
Humanas
25,1%
Não confia
espectro político
Esquerda
20,1%
Sim
39,1%
Talvez
25,0%
Humanas
15,5%
Não confia
Centro
19,6%
Sim
38,6%
Talvez
26,2%
Humanas
15,5%
Não confia
Direita
26,2%
Sim
43,0%
Talvez
19,2%
Humanas
11,3%
Não confia

escala: 0%  ·  25%  ·  50%  ·  75%  ·  100%

O risco eleitoral

segue alto

3em4
pessoas veem risco de manipulação eleitoral por IA

A disposição para consultar a inteligência artificial sobre política convive com uma desconfiança igualmente forte. A maioria dos entrevistados reconhece que a tecnologia pode ser usada para manipular eleitores e abalar a confiança na democracia. E essa preocupação aparece em todos os cenários testados na pesquisa.

Os números são altos nos três grupos: quem não viu vídeo nenhum, quem viu o conteúdo gerado por IA e quem viu o vídeo original. Isso mostra que o receio sobre a IA nas eleições já está instalado na cabeça do eleito, antes mesmo de qualquer contato com conteúdo sintético.

Menos da metade identifica

um vídeo político

feito por IA

Para entender como as pessoas reagem a um vídeo produzido por inteligência artificial, mostramos a parte dos participantes da pesquisa um vídeo do presidente Lula falando sobre regulação das redes sociais. O vídeo foi inteiramente gerado por inteligência artificial, mas foi construído como reprodução fiel da fala e do contexto do vídeo verdadeiro. Em seguida, perguntamos se aquele conteúdo era real.

Apenas 45,3% das pessoas que assistiram ao vídeo identificaram corretamente que ele era artificial. Os outros 33% acharam que era real, e 21,7% não souberam responder. Ou seja: mais da metade dos entrevistados não conseguiu distinguir um vídeo feito por IA de um vídeo verdadeiro.

vídeo IA

Disse que era IA
45,3%
Disse que era original
33,0%
Não soube dizer
21,7%

vídeo original

Disse que era IA
33,9%
Disse que era original
40,7%
Não soube dizer
25,4%

A confusão também aconteceu no caminho inverso. Para outro grupo de participantes, mostramos o vídeo verdadeiro de Lula. Mesmo sendo um conteúdo autêntico, 33,9% das pessoas afirmaram que ele tinha sido feito por IA. Apenas 40,7% o reconheceram como real. Isso revela uma crise de autenticidade que vai marcar 2026.

A alfabetização midiática precisa ir além das dicas visuais. Boca fora de sincronia, mão estranha, voz artificial e fundo distorcido ajudam a identificar deepfakes ruins, mas a tecnologia melhora rapidamente. A verificação precisa envolver fonte, contexto, rastreabilidade, canal de publicação e transparência sobre o uso de IA.

Idade é o

recorte mais forte

identificou o vídeo ia

18 a 29 anos
58,2%
30 a 45 anos
46,0%
46 a 60 anos
32,4%
61 anos ou mais
20,9%

achou que o ia era real

18 a 29 anos
24,0%
30 a 45 anos
33,8%
46 a 60 anos
40,6%
61 anos ou mais
47,0%

achou que o real era ia

18 a 29 anos
39,0%
30 a 45 anos
33,5%
46 a 60 anos
31,1%
61 anos ou mais
30,8%

escala: 0%  ·  25%  ·  50%  ·  75%  ·  100%

47% das pessoas com 61 anos ou mais acharam que o vídeo gerado por IA era verdadeiro. Esse grupo é especialmente vulnerável a conteúdos sintéticos que mostram personagens públicos conhecidos, sobretudo quando circulam em ambientes de confiança pessoal, como grupos de família no WhatsApp.

Mas há um alerta também do outro lado da pirâmide etária. Os jovens identificam melhor o vídeo feito por IA, mas 39% deles classificaram o vídeo real como sendo artificial. A capacidade de desconfiar acaba virando desconfiança generalizada. Em ano eleitoral, preparar pessoas para identificar manipulação exige também fortalecer critérios para reconhecer conteúdo autêntico.

Polarização atravessa

a confiança

O vídeo testado trazia o presidente Lula falando sobre regulação das redes sociais. Por isso, a forma como cada pessoa o recebeu foi profundamente marcada por sua posição política. Pedimos aos participantes que avaliassem, em uma escala de 0% a 100%, o quanto confiavam no que Lula dizia. Os resultados mostram um abismo entre os campos políticos.

confiança na fala do lula por posição política

vídeo ia

65,8%
Esquerda
39,4%
Centro
24,9%
Direita

vídeo original

64,1%
Esquerda
43,0%
Centro
25,9%
Direita

Entre pessoas de esquerda, a confiança em Lula foi de 65,8% depois de assistir ao vídeo feito por IA. Entre pessoas de direita, ela caiu para 24,9%. O mesmo conteúdo, com a mesma fala e a mesma duração, produziu reações quase opostas dependendo de quem estava do outro lado da tela.

E o detalhe mais revelador é que isso aconteceu também com o vídeo verdadeiro. Entre quem viu o conteúdo original, a confiança dos entrevistados de direita ficou em 25,9%, contra 64,1% dos de esquerda.

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Metodologia

A pesquisa foi realizada por meio do Swayable, plataforma internacional especializada em medir o impacto de conteúdos, mensagens e estratégias de comunicação na opinião pública. A coleta aconteceu entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 pessoas de todo o Brasil, recrutadas pelas redes sociais. A participação foi voluntária e anônima.

O levantamento também incluiu um experimento audiovisual. Parte dos entrevistados assistiu a um trecho original do presidente Lula falando sobre regulação de redes sociais. Outra parte viu uma versão gerada por IA, construída como reprodução fiel da fala e do contexto do vídeo verdadeiro. Um terceiro grupo, usado como controle, ficou sem exposição ao vídeo.

Distribuição experimental

grupo 01
Controle
40,3%
grupo 02
Vídeo Lula IA
29,1%
grupo 03
Vídeo Lula original
30,6%
Veja mais Mostrar menos

perfil da amostra

idade

29,6%
18 a 29 anos
45,8%
30 a 45 anos
20,8%
46 a 60 anos
3,8%
61 anos ou mais

Gênero

Homens
52,6%
Mulheres
47,1%
Outro · 0,3%

Espectro político

eixo: 0 a 50%
25,3%
Esquerda
33,5%
Centro
41,1%
Direita

região

Sudeste
51,8%
Nordeste
22,9%
Sul
13,9%
Centro-Oeste
6,1%
Norte
5,3%
atenção
O recrutamento por redes sociais favorece uma amostra mais conectada, urbana e interessada em política. Isso fortalece a utilidade do levantamento para entender a opinião pública em ambientes digitais, especialmente onde IA, notícias, redes sociais e debate eleitoral se cruzam.

Guia DO CLIMA

ABRIL/26