IA e eleições

2026

Mulheres apoiam mais regulação;

homens são mais sensíveis

ao argumento de

liberdade de expressão

O recorte de gênero ajuda a entender como diferentes públicos se posicionam diante de regras para Inteligência Arificial. Mulheres apresentam maior apoio à regulação e controle. Homens demonstram maior concordância com a ideia de que a regulação pode limitar a liberdade de expressão.

apoio à regulação da ia

73,6%
Mulheres
64,7%
Homens

regulação pode limitar a liberdade de expressão

47,6%
Mulheres
54,8%
Homens

A agenda de regulação precisa ser formulada com precisão. Aprendizados de outras pesquisas do Projeto Brief mostram que medidas de regulação ganham mais apoio quando são enquadradas como proteção. O público tende a responder melhor quando a proposta aparece como transparência, rotulagem e responsabilização por conteúdos fraudulentos. Formulações genéricas sobre controle podem acionar resistências, especialmente quando a discussão encosta em liberdade de expressão.

O público prefere aviso

obrigatório a circulação livre

Quando perguntados sobre o que deveria acontecer com vídeos políticos feitos por IA, os respondentes demonstram maior adesão a avisos e selos obrigatórios. 49,3% defendem essa medida, contra apenas 6,7% que acham que esses conteúdos deveriam circular normalmente.

o que deveria acontecer com vídeos políticos feitos com ia

Ter aviso ou selo obrigatório
49,3%
Ser proibidos
20,5%
Ser criminalizados, com punição aos autores
13,3%
Circular apenas com autorização da Justiça
10,2%
Circular normalmente
6,7%

Esse dado dialoga com o caminho regulatório adotado pelo TSE em 2026, que exige informação explícita, destacada e acessível quando propaganda eleitoral utiliza conteúdo sintético gerado ou alterado por IA. A pesquisa mostra aderência social a esse tipo de medida: o eleitor quer saber quando está diante de conteúdo fabricado ou manipulado.

TSE, plataformas e governo

aparecem no

centro da responsabilidade

Quando perguntados sobre quem deveria fiscalizar o uso de IA nas eleições, os respondentes apontam uma combinação de responsabilidades. O TSE aparece como o ator mais citado, seguido pelo governo federal e pelas plataformas digitais.

responsabilidade pela fiscalização da ia nas eleições

Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
51,6%
Governo federal
42,1%
Plataformas digitais
38,0%
Cidadãos e eleitores
24,3%
Partidos e candidaturas
18,0%
Sociedade civil e ONGs independentes
17,8%
Ninguém, deve ser livre
7,8%

A presença do TSE no topo mostra que o público lê o tema como questão de integridade eleitoral. Já o peso das plataformas digitais carrega uma tensão: o eleitor coloca essas empresas como parte da solução, mas elas próprias operam segundo lógicas algorítmicas e modelos de negócio que ajudam a criar o problema.

O que

está em

jogo

A inteligência artificial chegou à política mais rápido do que a sociedade conseguiu se preparar e, em 2026, parte do que decidirá o voto vai depender de como a IA mostra a realidade para cada pessoa.

Esse é um risco já presente no cotidiano, em cada vídeo que o eleitor não sabe se é real, em cada resposta de assistente que parece neutra mas não é. O efeito acumulado é a perda da confiança de que estamos todos olhando para o mesmo país.

No Projeto Brief, entendemos que enfrentar isso vai além de regulamentar a tecnologia. Precisamos de uma sociedade que saiba usar a IA com senso crítico, de instituições atentas ao que acontece no ambiente digital e de plataformas que sejam responsabilizadas pelo que entregam ao eleitor. Este ano vai ser o primeiro grande teste, e estamos apenas no começo da nossa contribuição para essa conversa.

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Metodologia

A pesquisa foi realizada por meio do Swayable, plataforma internacional especializada em medir o impacto de conteúdos, mensagens e estratégias de comunicação na opinião pública. A coleta aconteceu entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 pessoas de todo o Brasil, recrutadas pelas redes sociais. A participação foi voluntária e anônima.

O levantamento também incluiu um experimento audiovisual. Parte dos entrevistados assistiu a um trecho original do presidente Lula falando sobre regulação de redes sociais. Outra parte viu uma versão gerada por IA, construída como reprodução fiel da fala e do contexto do vídeo verdadeiro. Um terceiro grupo, usado como controle, ficou sem exposição ao vídeo.

Distribuição experimental

grupo 01
Controle
40,3%
grupo 02
Vídeo Lula IA
29,1%
grupo 03
Vídeo Lula original
30,6%
Veja mais Mostrar menos

perfil da amostra

idade

29,6%
18 a 29 anos
45,8%
30 a 45 anos
20,8%
46 a 60 anos
3,8%
61 anos ou mais

Gênero

Homens
52,6%
Mulheres
47,1%
Outro · 0,3%

Espectro político

eixo: 0 a 50%
25,3%
Esquerda
33,5%
Centro
41,1%
Direita

região

Sudeste
51,8%
Nordeste
22,9%
Sul
13,9%
Centro-Oeste
6,1%
Norte
5,3%
atenção
O recrutamento por redes sociais favorece uma amostra mais conectada, urbana e interessada em política. Isso fortalece a utilidade do levantamento para entender a opinião pública em ambientes digitais, especialmente onde IA, notícias, redes sociais e debate eleitoral se cruzam.

Guia DO CLIMA

ABRIL/26