Como Mobilizar

o Voto das

Mulheres

Estamos a poucas semanas de uma eleição decisiva, e as mulheres estão no centro dessa disputa.

Elas são maioria entre quem vai às urnas e, nas últimas eleições, têm demonstrado uma inclinação maior ao campo progressista do que os homens. Parte dessa diferença passa por uma relação muito concreta com a política: para elas, política é também o preço da comida no mercado, a creche dos filhos, a segurança, o posto de saúde.

Mulheres são 83,8 milhões de eleitoras — 52,8% do eleitorado brasileiro.

52,8% 47,2%
Mulheres eleitoras Homens eleitores

E justamente porque esse voto tem peso, ele está sendo questionado. Nos últimos meses, vimos crescer nas redes conteúdos dizendo que mulheres "votam mal", colocando em dúvida sua capacidade de escolha e, em alguns casos, contestando até mesmo seu direito de votar.

Mais de 16 milhões de mulheres não foram às urnas em 2022.

Foi desse cenário que nasceu esta pesquisa. Queríamos entender melhor a relação das mulheres com a política e com o voto — e testar que tipo de comunicação pode aumentar sua motivação para participar, fortalecer a confiança nas próprias escolhas e a percepção de que seu voto faz diferença.

Para isso, ouvimos 3.594 mulheres de todo o Brasil e testamos diferentes caminhos de mensagem.

Como Mobilizar o Voto das Mulheres reúne os principais aprendizados dessa pesquisa e caminhos de comunicação para fortalecer a participação das mulheres nas eleições de 2026.

Pessoas e temas que vão decidir as eleições 2026

1. O ataque ao voto feminino mobiliza mulheres a votar

Ao dizer que estão questionando o direito ao voto das mulheres, a força vem de associar o problema a uma ação.

existe um problema
ele diz respeito a você
existe algo que você pode fazer

Esse último passo é fundamental.

Comunicação baseada apenas em ameaça pode produzir paralisia, cansaço ou rejeição.

Comunicação baseada em ameaça + capacidade de resposta pode aumentar a sensação de autonomia.

1. Fale sobre o impacto da política no cotidiano

Para uma parcela das mulheres, especialmente entre as de menor renda e menor interesse político, a política compete com preocupações muito mais imediatas.

Uma das respondentes resume isso diretamente:

“política é um assunto em que quase não penso na correria do dia a dia”.

Por isso, a comunicação sobre participação ganha força quando parte de experiências que já são relevantes por si mesmas:

preço, trabalho, transporte, segurança, escola, cuidado, tempo, família, serviços públicos

Essa abordagem também ajuda a diminuir outra barreira: a sensação de que é preciso acompanhar política ou “entender do assunto” para participar de uma eleição.

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3. Mostre que participar produz consequência

A autonomia já parte de um patamar muito alto. Afirmações como “meu voto é meu” e a confiança na própria capacidade de decidir têm ampla adesão.

A fragilidade aparece na motivação e percepção de eficácia da política. Quase uma em cada cinco mulheres dá nota 5 ou menos para sua motivação para votar.

Por isso, há mais espaço para trabalhar perguntas como:

  • O que muda quando você participa?
  • Como decisões políticas aparecem na sua rotina?
  • Que consequências uma eleição pode produzir na vida concreta?

4. Segmente pela distância da política

Renda, ocupação e idade ajudam a entender o público, mas uma segmentação particularmente útil é a relação de cada mulher com a participação eleitoral.

Situação Como se relaciona com a eleição Tarefa de comunicação
Mobilizada e decidida Pretende votar e já tem uma escolha bastante consolidada Manter o tema vivo e facilitar circulação: oferecer conteúdos úteis, claros e compartilháveis que alimentem conversas com outras pessoas
Mobilizada, mas ainda escolhendo Pretende votar, mas sua escolha está menos consolidada Ajudar a decidir: ampliar repertório, oferecer informação compreensível e dar critérios para avaliar propostas, informações e escolhas
Pouco interessada ou desengajada da eleição Política ocupa pouco espaço no cotidiano; pode haver baixo interesse e histórico de branco/nulo ou abstenção Criar um motivo para entrar na conversa: conectar política à vida concreta, mostrar consequências da participação e reconstruir a percepção de que votar pode fazer diferença

Não saber em quem votar e não saber se vale a pena votar são problemas diferentes.

5. Com quem já pretende votar, troque convocação por repertório

Entre mulheres de 2 a 5 salários mínimos, a participação já é muito menos frágil: 95% dizem que pretendem votar e os indicadores de agência se aproximam da média geral.

Nesse público, há mais espaço para:

  • 1
    oferecer informação útil;
  • 2
    estimular busca e comparação de informações;
  • 3
    ampliar repertório;
  • 4
    ajudar a transformar questões complexas em conversas compreensíveis;
  • 5
    produzir materiais que possam circular entre outras pessoas.

6. Produza conteúdos para serem compartilhados, não apenas vistos

Compartilhamento deve ser tratado como um resultado estratégico próprio.

Ao criar uma peça, vale perguntar:

“Eu mandaria isso para uma amiga, irmã, mãe ou colega?”

Uma mensagem com potencial de circulação tende a ter:

  • 1
    uma ideia central fácil de identificar;
  • 2
    uma reação reconhecível;
  • 3
    linguagem que possa ser reaproveitada em uma conversa;
  • 4
    baixo custo para ser explicada novamente.

A influência reconhecida pelas próprias mulheres aparece muito nas relações próximas. A circulação entre pessoas pode ser tão importante quanto o alcance inicial do conteúdo.

7. Entre na conversa pelos ambientes em que elas já estão

Entre mulheres de até 2 salários mínimos, o uso semanal chega a:

93%
WhatsApp
85%
Instagram
73%
YouTube
68%
TikTok

O desafio, portanto, é fazer com que uma mensagem sobre participação consiga competir com o restante da vida dentro desses canais.

Para públicos pouco interessados em política, isso tende a favorecer conteúdos que façam sentido mesmo para quem não estava procurando informação eleitoral naquele momento.

8. A antipolarização aparece como uma demanda

Isso indica que uma linguagem excessivamente partidária pode afastar justamente quem ainda não se reconhece em nenhum campo.

Entre mulheres menos interessadas e menos mobilizadas, é mais eficaz abrir espaço para que elas entrem na conversa sem exigir a adesão a uma identidade política.

A participação pode começar por uma pergunta concreta sobre sua vida, uma preocupação compartilhada ou uma decisão que reconheça como importante.

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Metodologia

A pesquisa foi realizada com 3.594 mulheres brasileiras, por meio da plataforma Swayable. As participantes foram divididas entre um grupo controle e dois grupos expostos a diferentes mensagens sobre participação eleitoral feminina.

Analisamos como essas mensagens afetaram indicadores como motivação para votar, confiança na própria decisão e percepção de que o voto pode fazer diferença, além de observar diferenças entre diferentes perfis de mulheres.

Para conhecer em mais detalhes a amostra, a metodologia e todos os resultados, baixe o relatório completo da pesquisa.

E para obter mais direcionamentos práticos sobre como se comunicar com esse público sobre o que importa, acesse a plataforma DECISIVAS.

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SETEMBRO/26