IA e eleições
2026
A DISPUTA POLÍTICA ESTE ANO
ACONTECE EM UM CENÁRIO INÉDITO.
Desde o último ciclo nacional, deepfakes mais realistas, vozes clonadas, imagens sintéticas, personagens criados por IA e assistentes conversacionais saíram do nicho tecnológico e entraram na rotina de milhões de brasileiros. Hoje, qualquer pessoa com um celular pode fabricar em minutos um vídeo de um político dizendo algo que ele nunca disse – ou recorrer a um sistema automatizado para decidir em quem votar.
Essa mudança transforma a disputa política em duas frentes. A primeira é a mais visível: conteúdos sintéticos podem circular como se fossem reais, embaralhando o que é verdadeiro e o que foi fabricado. A segunda é mais silenciosa: a IA virou fonte de consulta. Em vez de procurar uma notícia, o eleitor pergunta direto ao assistente e recebe uma resposta pronta, com aparência de neutralidade.
O TSE já regulamentou o uso da tecnologia na propaganda eleitoral, reconhecendo os riscos de manipulação e a necessidade de transparência. Mas o desafio vai além do que pode ser regulado. Ele passa pela forma como cada pessoa decide em quem acreditar, o que compartilhar e como interpretar o que vê na tela.
Para entender essa nova dinâmica, o Projeto Brief realizou uma pesquisa online com 2.483 pessoas de todo o país, investigando como elas usam IA, que riscos enxergam, como reagem diante de um vídeo político (original ou sintético) e em que medida já consideram consultar sistemas automatizados para decidir o próprio voto.
Os resultados mostram uma sociedade que adotou a tecnologia rápido, mas ainda aprende a lidar com seus efeitos sobre a confiança e a informação.
62,9% consideram consultar uma ferramenta de IA para obter informações sobre candidatos nas eleições.
Sumário
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A IA já entrou
na rotina
A inteligência artificial deixou de ser promessa de futuro. 36,4% dos entrevistados dizem usar ferramentas como ChatGPT, Claude, Gemini, MetaAI, Grok ou similares várias vezes ao dia, e outros 22% várias vezes por semana. Apenas 1,9% nunca ouviram falar. O dado mostra que a discussão sobre IA e eleições acontece em uma sociedade que já incorporou essas ferramentas à rotina digital.
Com que frequência você usa ferramentas de IA?
A busca por informação
passa pela IA
A tecnologia também virou fonte de informação. O problema é que as respostas geradas por inteligência artificial não são confiáveis – o que é sinalizado pelas próprias plataformas. Nem sempre fica claro quais fontes foram consultadas, se os dados estão atualizados ou que contexto ficou de fora. Em ano eleitoral, a forma como o eleitor pesquisa sobre candidatos e propostas passa a depender, em parte, de respostas automatizadas que podem induzir ao erro.
Para que as pessoas usam IA?
O público usa,
mas desconfia
Para boa parte dos respondentes, a tecnologia já entrega ganhos concretos: ajuda a resolver problemas, facilita o aprendizado e amplia o acesso à informação. Essa abertura aparece também nos sentimentos associados ao avanço da IA: 42% se dizem muito animados e 26,2% esperançosos.
A preocupação surge quando essa utilidade encosta em temas de confiança pública. Os riscos mais citados têm relação direta com a possibilidade de enganar pessoas e dificultar a distinção entre o que é real e o que foi fabricado. O público reconhece valor na tecnologia, mas também percebe que ela pode tornar mais difícil saber em que confiar.
O que as pessoas veem de positivo e negativo na IA?
Aspectos positivos
Aspectos negativos
Os riscos de manipulação (60,7%) e dificuldade de distinguir real do falso (54,2%) lideram com folga, enquanto privacidade (38,7%), emprego (37,8%) e concentração de poder (19,4%) ficam bem atrás. Isso mostra que o brasileiro não tem medo de a IA tomar seu emprego ou roubar seus dados tanto quanto tem medo de não saber mais o que é verdade.
Onde as pessoas
se informam
As redes sociais aparecem como o principal canal de notícias para 76,9% dos entrevistados, à frente da TV (71,4%) e do YouTube (53,7%). Jornais e revistas, impressos ou online, ficam para trás.
fontes de notícias
A ordem das fontes diz muito sobre o terreno em que a disputa de 2026 vai acontecer. Redes sociais e YouTube, que somam o primeiro e o terceiro lugar, organizam o que aparece para cada pessoa segundo critérios algorítmicos que o eleitor não controla nem conhece. A TV mantém peso, mas também passa a depender desses ambientes para circular: cortes, trechos e clipes de telejornais são consumidos cada vez mais dentro das redes. Mesmo quem se informa por canais tradicionais acaba recebendo uma versão filtrada por algoritmos antes de chegar ao conteúdo original.
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Metodologia
A pesquisa foi realizada por meio do Swayable, plataforma internacional especializada em medir o impacto de conteúdos, mensagens e estratégias de comunicação na opinião pública. A coleta aconteceu entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 pessoas de todo o Brasil, recrutadas pelas redes sociais. A participação foi voluntária e anônima.
O levantamento também incluiu um experimento audiovisual. Parte dos entrevistados assistiu a um trecho original do presidente Lula falando sobre regulação de redes sociais. Outra parte viu uma versão gerada por IA, construída como reprodução fiel da fala e do contexto do vídeo verdadeiro. Um terceiro grupo, usado como controle, ficou sem exposição ao vídeo.